domingo, agosto 26, 2012

IN MEMORIAM - um desabafo

Podemos crer no que for do leque de opções que as várias religiões e filosofias nos oferecem; podem nos dizer o que quer que seja a fim de nos consolarem: as palavras mais maviosas e ternas, as mais racionais e concisas; podemos saber todo e cada detalhe das leis da biologia, da química e da física; podemos ser médicos, sacerdotes, filósofos ou qualquer que seja a ocupação que a sociedade nos ofereça para nos tornar capazes de compreender a vida e a morte. Mas o fato é: nada do que cremos, nada do que nos digam, nada do que saibamos, consegue aplacar a dor tão atroz que é perder um ente querido. 

Eu, particularmente, acredito na vida após a morte, na ressurreição dos mortos, na volta de Jesus e no Arrebatamento. No entanto, embora tenha o consolo de saber que aqueles que partem, partem para uma vida muito melhor, uma realidade "inefável" - nas palavras que João Ferreira de Almeida traduziu a São Paulo -; que aqueles que partem na verdade "não estão mortos, mas dormem no Senhor", não consigo deixar de ter essa sensação de que algo está em falta e que essa falta é permeada de dor; dum sentimento que comprime as entranhas e faz o peito arder numa aflição tão forte que às vezes é preciso gritar e fazer a pergunta retórica "por quê, meu Deus?". É claro que Deus não precisa de responder, pois sua resposta está na natureza. Desde a escola primária a gente aprende que "todo o ser vivo nasce, cresce, reproduz e morre" - foi o que minha professora Rita de Cássia Santana me ensinou na 1a série. Mas, face a partida de nossos amados, essa constatação natural é apenas esquecida e jogada no fundo do baú de nossas mentes. 

É de lá - do baú de nossas mentes - também que brotam as lembranças as quais nos fazem pensar que "ontem mesmo estava tudo bem, ontem mesmo conversamos, demos gargalhadas, trocamos confidências. Ainda ontem eu te ouvi rindo, ainda ontem eu te ouvi dizer que tudo estava nas mãos de Deus. Foi ontem mesmo que nos vimos, que sentamos juntos, que vimos o dia passar. Foi ontem".  Agora só resta o silêncio. Aliás, não o silêncio, mas as vozes de ontem - seja esse ontem o dia anterior ou o mês anterior ou ano anterior - que não calam e não nos deixam esquecer e que ecoam somente no recôndito de nossos pensamentos.

A velha lição de Ciências fica esquecida na nossa estúpida crença do super-homem, na negação diária da morte, na  ideia equivocada de nossa eternidade física, na protelação das visitas que devemos fazer porque um dia sucede o outro e tudo parece tão igual, tão imutável, ocorrendo bem conforme nossos planos, que nos esquecemos da premência, da urgência que é a vida, e temos o arrogante sentimento de que estamos no controle de tudo. Esquecemos a antiga lição do salmista que nos diz que a vida é como a flor soprada pelo vento, logo se desfaz. E é assim mesmo que vemos e sentimos ante a morte: a vida se desfaz no rosto marmóreo, nas feições inexpressivas, no rosto sereno de quem parece estar dormindo, mas que não acordará com nosso toque ou com nossa voz chamando o seu nome. 

Eu bem sei que nada é para sempre, que as pessoas podem nunca mais voltar - aprendi bem cedo, aos seis anos. Mas somos teimosos, não é? queremos a todo tempo nos prender com unhas e dentes na esperança de mais uns dias, mais uns minutos, de mais algum sopro de vida, de mais qualquer coisa que nos dê um tempo - o mínimo que seja - com aqueles do nosso convívio. No entanto ontem, quando a chuva caía forte, torrencial lá fora, ali dentro daquela capela mais uma vez eu pude ver o quanto nos iludimos com nossos quereres de eternidade, com a negação do óbvio, com a insensatez dos nossos sentimentos infantis. 

Ver minha avó, minha "voinha", coberta de flores dentro de um esquife de alças douradas, seu rostinho tão sereno como se dormisse e logo logo fosse acordar e dizer "Bate Báter" - conforme ela gostava de lembrar o modo de minha prima Michelle chamar meu nome (Márcio Walter) quando éramos crianças - e rir sua gargalhada gostosa como só ela tinha mesmo diante da tristeza; ver os rostos ali presentes, os semblantes de claro pasmo, de dúvida e descrença; ouvir dizerem "mas ontem mesmo ela estava tão feliz, conversando", foi uma das sensações mais tristes, desconsoladas, inconsoláveis que já tive. Afinal, a morte, a despeito de nossas crenças e do óbvio que é morrermos todos os dias, dói demais - e essa dor é tão física quanto metermos a mão com força no peito e arrancarmos de lá o coração com tudo o que há lá dentro: planos futuros, projetos presentes, recordações passadas. 

E essa sensação, persistente e insistente, parece que nunca vai passar. Eu sei que ela gostaria que esquecêssemos o luto, seu desejo seria que gargalhássemos e prosseguíssemos em vez de nos entristecermos e gastarmos tempo escrevendo textos catárticos. Mas como rir de verdade com a ferida recalcitrante no peito, como dizer "é só por um instante, em breve nos veremos" quando ainda a vida pode alongar-se por cinquenta, sessenta anos mais? Quem parte com Deus, parte feliz, diz o povo, mas nos deixa a saudade, a  constatação terrível de que nada está em nosso controle, de que a vida é um sopro e que os risos podem emudecer-se numa fração de segundos, que as alegrias podem desvanecer rapidamente e assim também que as mágoas, os sentimentos de poder, a arrogância recebem uma rasteira e se esfacelam no chão. 

Ontem, a partida de minha avó deixou em mim uma impressão muito forte, uma dor misturada com incertezas, com saudades, com raiva, com um quase desespero diante da impotência nossa. Mas também trouxe à tona a sensação de que é preciso fazer mais, de que é necessário e urgente rever a vida e dar valor as coisas mais importantes: o convívio dos nossos entes queridos, o repensar as prioridades, o esquecer pequenices, o doarmo-nos em todo o tempo; é preciso saber seguir. Seguir as palavras do Evangelho que nos alertam a viver "cada dia como se fosse o último" e nisso aprendermos a compartilhar mais, ouvir mais, viver mais. Pois, antes que esperemos, a vida pode contrariar nossos planos e aquilo que era para sempre se desvanecerá no vento.

Antes que isso ocorra, se lembre de agradecer. eu o faço novamente: obrigado, voinha, por me ensinar a andar de bicicleta, por me dar o gosto de tomar sorvete de chocolate misturado com sorvete de ameixa, por me forçar a comer peixe à escabeche, por me mostrar que a vida é pra ser gargalhada diante das tristezas; obrigado por me ensinar, de criança, a honestidade, obrigado pela severidade imbuída de amor, pelas correções e por deixar pequenas falhas passarem despercebidas. Obrigado pelas coisas simples e pelos ensinamentos profundos, obrigado por tudo e até àquele Dia. 


segunda-feira, julho 30, 2012

FELIZ DIA DO AMIGO PRA VOCÊ TAMBÉM! HAPPY FRIENDS' DAY TO YOU TOO!

(SCROLL DOWN THE PAGE FOR THE ENGLISH VERSION)


Ainda hoje, mais de uma semana após a data, recebo felicitações via celular e Internet pelo Dia do Amigo - celebrado no Brasil, Argentina e Uruguay no dia 20 de julho - com a ressalva "desculpe a demora, mas nossa amizade é todo dia!" ou "demorei, mas cheguei". É muito bom ser lembrado e, melhor ainda, é saber que tantas pessoas nos têm como queridos seus. Bom saber também que muitas dessas pessoas que gastaram alguns minutos do seu tempo para digitar um torpedo, enviar um e-mail elaborado, postar uma mensagem no Facebook ou Orkut (ainda tem gente que usa!) estão longe, em outros estados ou países ou, ainda, afastadas pela correria da vida, mas que sempre têm reservado em suas recordações e seus sentimentos um espaço para nós. 

Entre essas mensagens de pessoas queridas e cuja amizade sólida a gente parece ter desde sempre, há algumas de conhecidos, outras coletivas enviadas por contatos virtuais e outras de quem a gente nem sabe quem é. Isso, por um lado, é bom, pois mostra que a data está se popularizando e que as pessoas querem demonstrar alguma espécie de carinho pelo próximo; por outro, nos traz a pergunta: você realmente é amigo de alguém ou só está querendo "aparacer"?

Parece complicada a escolha de palavras no questionamento acima. Mas nessa nossa sociedade das relações passageiras, dos amigos virtuais e dos sentimentos efêmeros, ela prova ser pertinente. 

Veja bem: as palavras "amigo" em português e espanhol, "ami" em francês, "amico" em italiano, vêm do latim antigo "amicus", que deriva de "amacius" - amante -, que se origina do verbo "amare" - amar; assim também, "friend" em inglês,  "freund" em alemão, "vriend" em holandês, são derivadas do verbo teutônico "freon" - amar - que tem como base o sânscrito "pryá" - muito querido ou desejado; em hebraico ela é  "raver" - de alguma forma derivada de "orrav" - amar - e em grego "filo" - aquele que ama. Em finlandês há ainda a palavra "ystävä", que diferentemente de "kaveri" - colega, alguém com quem você tem relações sociais -, dá a idéia de alguém com quem temos laços espirituais, união para toda a vida. 

Ou seja: "amigo" é aquele que ama, que é amante de outrem e que deseja estar perto do outro e estender-lhe a mão sempre que preciso. Não é de estranhar, por exemplo, que nos clássicos da literatura de língua portuguesa, e.g., Machado de Assis, os amantes se chamem mutuamente de "meu amigo" e "minha amiga" e que haja em nossa língua as "Cantigas de Amigo" que eram, na verdade, endereçadas às amantes; ou que nas Santas Escrituras o rei Davi diga a seu amigo Jônatas "mais maravilhoso era o teu amor do que o amor de mulheres" (2 Samuel 1:26); ou ainda nosso Senhor ensine aos seus discípulos que "não há maior amor do que este: alguém dar a sua vida pelos seus amigos" (Ev. de S. João 15:13). Por isso, não deve nos chocar saber que talvez por conhecer o significado real da palavra "amizade" Stan Laurel tenha caído em depressão após a morte de Oliver Hardy (atores da dupla "O Gordo e o Magro") e  nunca mais tenha se recuperado. Afinal, "amigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves, dentro do coração" como fala a canção que todos nós já devemos ter ouvido por aí. 

Como eu disse anteriormente, a pergunta feita neste texto não é sem motivo. No Brasil é muito comum ouvirmos as pessoas dizerem que têm um milhão de amigos e até mesmo chamar de amigos pessoas a quem eles acabaram de conhecer. Mas quantos desses amigos podem realmente contar com você e com quantos deles você pode contar? 

Faça um cálculo baseado nas seguintes questões: 1) se eu ficar gravemente doente, Amigo cuida de mim? 2) se eu precisar de dinheiro ou moradia, Amigo me estende a mão? 3) se eu precisar desabafar, posso contar com Amigo? 4) se às três da manhã me bater uma crise existencial, posso ligar para Amigo? 5) Se eu realizar o maior sonho da minha vida, Amigo fica genuinamente feliz por mim? 6) se eu tiver um segredo comprometedor, posso contá-lo a Amigo na certeza de que não serei julgado, condenado e aniquilado? - OK, são todas questões hipotéticas antecedidas de "se", mas que um dia podem lhe acontecer, então, vale a pena pensar nelas. Depois de fazê-lo, inverta o sujeito e o objeto perguntando-se: "se Amigo ficar gravemente doente, eu cuidarei dele?", etc.  

Não quero com este post dizer que amizades reais não existem, ou que amigos virtuais não podem tornar-se amigos reais (eu mesmo tenho alguns amigos virtuais que são como irmãos/irmãs pra mim) ou que temos de nos tornar paranoicos exclusivistas à procura do Santo Graal das amizades. É apenas uma tentativa de nos fazer pensar um pouco em como estamos usando as palavras de nossa língua, em como em vez de usar o sagrado como tal, o estamos profanando na banalização do uso generalizado e sem cuidados. Porque "amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito, dentro do coração" e no coração a gente só guarda as coisas santas, como o pulsar da vida; como o amor; portanto, como um amigo.

Neste dia do amigo - 30 de julho é o dia instituído pelas Nações Unidas como celebração universal da amizade - pense nas pessoas - presentes física ou virtualmente - que realmente fazem a diferença em sua vida e em cujas vidas você faz a diferença; pense nos amigos, aqueles a quem você ama e quer ter por perto, que podem contar com você em todo o tempo; pense também em como seria a sua vida sem eles e lhes mande aquela mensagem de carinho que tanto nos faz bem quando a lemos. 

E tenha um feliz Dia do Amigo você também.

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I have been receiving many messages via cellular and Internet texts, even one week after the actual date, congratulating me on Friends' Day - it's celebrated in Brazil, Argentina and Uruguay on the 20th of July - with the note "sorry for my delay, but ours is an every day friendship!" or "I'm late, but I'm here". It's really good to be remembered, and better still is to know that so many people have us in their deepest regards. It's also great to learn that many of those people who spent some minutes of their time to type a text or to send a carefully written e-mail, post a message on Facebook or Orkut (some people still use the latter) are faraway, in other states or countries, or even distant due to the rush of everyday life, but who always have a place for us in their thoughts and feelings.

Among the messages of those dear people whose solid friendships we seem to have had forever,  there are some from acquaintances, others sent in by the thousands from virtual friends and some others from people we never heard of. This, on one side, is good because it shows us that the date in question is catching on and people want to demonstrate some kind of "I care about you" feeling towards thier neighbors; on the other hand, it makes us ask: are you a real friend to somebody or do you just want to "show off"?"


The choice of words above seem to be complicated. However, in this society of ours where relations are fast, virtual friends are aplenty and feelings are ephemeral, it proves to be pertinent. 

Observe: the words "amigo" in Portuguese and Spanish, "ami" in French, "amico" in Italian, come from the Old Latin noun "amicus", derivative of "amacius" - lover -, which originates from the verb "amare" - to love. Also, "friend", from English, "freund" from German and "vriend" from Deutsch derive from the Teutonic verb "freon" - to love -  whose basis is the Sanscrit word "pryá" - very dear or desired; in Hebrew its "chaver" - somehow deriving from "ochav" - to love; in greek it's "philo", meaning "he who loves". In Finnish it means "ystävä", which, differently from "kaveri" - a dude, someone of your social relations -, impart an idea of soulmate, somebody with whom we have a life-long spiritual bondage.  


In other words: "friend" is the one who loves, who is a lover to someone and who desires to be nearby and give a helping hand at all times. It doesn't surprise us, thus, that in the classical literature in Portuguese language, e.g.; Machado de Assis, lovers call each other "my friend", or that the so called "Cantigas de Amigo" (Friends Chants) were in fact adressed to lovers; or that in the Holy Scriptures, king David says to his friend Jonathan "very pleasant hast thou been unto me: thy love to me was wonderful, passing the love of women"(2 Samuel 1:26); or that our Lord teaches His disciples "Greater love hath no man than this, that a man lay down his life for his friends" (The Gospel of St John 15:13). Hence, we should not be shocked to learn that maybe because of knowing the real meaning of the word "friendship", Stan Laurel  fell into depression after the death of Oliver Hardy (from the "Laurel and Hardy" slapstick double act) never being able to recover. After all, "a friend is something for us to keep in the deepest and most hidden place, within the heart" as that song that we all might have heard says. 

As I said before, the question in this text is not without a purpose. In Brazil, it's very common that we hear people say they have a million friends or even call friends people they just met. But how many of those friends can really count on you and how many of them can you really count on? 

Just calculate on the following questions: 1) If I get seriously ill, will Friend take care of me? 2) if I need money or housing, will Friend give me a hand? 3) if I need to bear my soul with someone, can I count on Friend? 4) if I am in the middle of an existence crisis at three in the morning, can I call Friend? 5) if the biggest dream of my life comes true, will Friend be genuinely happy for me? 6) if I have a compromizing secret, can I tell it to Friend being sure that I won't be judged, condemned or annihilated? - OK, I know, they're always hypothetical questions preceeded by "if", but they might as well happen to you some day, so, it's worth your while to give them some thought. After doing it, invert the subject and object positions and ask yourself: "if Friend gets seriously ill, will I take care of him?", etc.   

It's not my intention with this post to say that real friendships don't exist, or that virtual friends may not be as real friends as anyone physically present (I myself have some great friends over the Net who are like brothers/sisters to me), or even that we have to become self-aggrandizing paranoids in the search of the Holy Grail of friendship. It's just for us to think a little about how we are using the words of our languages, about how, instead of keeping pure the sacred things, we are desecrating it in the banalization of general and careless usage. Because a "friend is something we must keep on the left side of the chest, inside the heart", and in the heart we just keep the holy things, such as the pulsing of life; such as love; therefore, such as a friend. 

On this Friends' Day - the 30th of July is the date the United Nations set for the universal celebration of friendship - think about the people - physically or virtually present - who really make a difference in your life and in whose lives you  make a difference; think about the friends, the ones you really want to have around, who can count on you at all times; also, think about how your life would be without them and send them that message of fondness that does us so much good when we read them.

And have a happy Friends' Day you too!

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terça-feira, maio 01, 2012

MAN NEVER LANDED ON THE MOON (?)



Yesterday, we started a discussion that had to be cut short for time’s sake, but of which I promised to talk again.

If you guys remember well, after seeing a TV add about an astronaut carrying a duffel bag that seemed to have no weight, the question, “Do you believe man has ever gone to the moon?” was posed. Some of you guys said to never have given a thought to the matter, or to not care about it a lot – or at all. Nevertheless, here I bring some food for thought so that we can practice the language as well as acquire new vocabulary.

In 1959, under the shield of the so called Cold War, the URRS sent the Luna2, the first man-made object to reach (or to crash onto) the surface of the moon; in 1962, Unitedstatesans (meaning “a North American who lives or was born in the United States”) duplicated the feat with the Ranger 4. From that time on many spacecrafts have been sent to the moon to crash onto its surface, the last one on March 1st , 2009, in a Chinese experiment.

But it was not as late as 1962 that man could go out and orbit the planet. Yuri Gagarin, soviet cosmonaut, was the first man to see the Earth from the outer space. He became famous for both his historical feat and the quotation “I looked all around me, but I didn’t see God”.

Now, it was a matter of honor for the Statesans. If the Soviets had technology enough to send a man to travel around the Globe from outside the planet, America had to do something even more astonishing.

That’s why on the 21st of June of 1969, two Astronauts sent by the USA set foot on the moon. They were Edwin “Buzz” Aldrin and Neil Armstrong, who got down from the lunar lander proclaiming the enthusiastic remark, “Its only a small step for me, but a giant leap for mankind”.


Nonetheless, in spite of all the fuss, excitement and advances in technology  the space exploration plans and conquests (?) generated, some people, maybe billions of them, are prone to disregard every piece of evidence on the matter and deem history books and TV images as cut and dried bullshit.

Among detractors is Bill Kaysing, the former head of technical publications for Rocketdyne, the research department that was the engine contractor for the Apollo project, and writer of a book aptly titled "We Never Went To The Moon".  According to Kaysing, man never went to the moon, not on Apollo 11, nor on any of the five other subsequent missions. To him, it was a hoax to show that nobody, especially the Soviets, could hold a candle to the United States.

But come to think of it, would a country spend around 25 billion dollars on faked six moon landings? How about the hundreds of employees in the know? How could NASA shut them up? Why did the Soviets never do anything to show the world it was phony?


On the other hand, why did the astronauts never comment on the stars, nor did they ever bring any pictures of the stars? Why didn’t the lunar landing engine – which emitted roughly 10,000 pounds of thrust – throw the sand, the dust, and the rocks up in the air? Why aren’t the shadows of the astronauts, the lander and the flag parallel if NASA says no artificial lighting was used on the moon? How come they send manned flight after manned flight just two years short of a horrendous accident that killed three astronauts on the launch pad at Cape Canaveral after having stated that the feasibility of a success mission would be as good as .0017 percent? And most of all, how come the enthusiast Armstrong, who said that his setting foot on the moon was a giant leap for mankind, start refusing to talk about it as “just part of his past”?

What information do you have on it? What personal opinion do you have? Would the mighty USA be as low as to deceive the whole entire planet not to lag behind the Soviets? And, if proved right, would man’s never landing on the moon be of any consequences to life or the way we see official history? 

Here you'll have an interesting film on the subject: http://www.youtube.com/watch?v=yo5w0pm24ic&feature=related

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sábado, abril 07, 2012

Carta aberta aos cristãos sobre dízimos, ofertas e lobos

O último conto de meu livro DE DOR E DE SONHOS traz a história de Luís, um aspirante a pregador duma pequena igreja na periferia de alguma cidade do Brasil. A história se passa no dia da sua consagração como evangelista; dia este que, em vez de alegria cristã, está cheio de um sentimento desesperado de culpa, dúvidas e revolta que lhe encheu a alma alguns dias antes quando ele escutou uma conversa entre o seu pastor e o tesoureiro da igreja acerca dos dízimos e das ofertas. Revoltado com o teor do diálogo, o personagem vive momentos de intenso conflito entre razão e fé que, após uma atitude inesperada sua, culmina numa constatação que resume, na visão do personagem, todo o significado da pregação de Cristo: "De graça recebeste, irmãos, de graça dai! Estamos aqui para vivermos o amor de Deus (...) de coração aberto para um Deus que não precisa de seu dinheiro. (...) Amai-vos uns aos outros! Foi isso, e só isso, o que Jesus pediu de nós. (...)". (- in:Libertação,DE DOR E DE SONHOS, p. 111/112 - Todos os direitos reservados). 

No entanto, muitas igrejas voltam hoje, em pleno século XXI, a cobrar indulgências dos fiéis como nos tempos medievais, a vender-lhes "um pedacinho do Céu" em troca das suas doações - aliás, me lembro muito bem que foi justamente essa frase que ouvi numa visita à igreja Universal no começo da década de 90. Bordão que eles usavam como suprema verdade evangélica até que a Rede Globo de Televisão divulgou vídeos em que o Bispo Edir Macêdo e sua trupe saiam dum estádio de futebol, onde haviam feito um dia de cultos, carregando sacolas de dinheiro e depois, no hotel em que estavam hospedados, dançavam e cantavam exibindo maços de moeda corrente.

Não sou contra a doação de dinheiro para as igrejas, nem sou do tipo que contra isso vocifera. Afinal, as instituições, sejam elas seculares ou religiosas, necessitam de capital, e no que toca a esta última, há que se pagar não só salários de funcionários, aluguel de imóvel, luz, água, mas também prover ajuda aos missionários enviados por todo o mundo. No entanto, como judeu-cristão, eu defendo que os dízimos e as ofertas devem cumprir o propósito pelo qual foram instituídos na Lei de Moisés. Hoje, o que eles pregam são as frases do profeta Malaquias: "Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais e dizeis: em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. (...) Trazei os dízimos e as ofertas para que haja mantimento em minha casa (...)". Mas eles param aí e - a despeito da palavra em si já nos indicar - não nos dizem que mantimento é este de que o profeta estava falando no capítulo três de seu livro. 

Por isso, os simples de coração, os que creem que seus líderes são a trombeta de Deus, os que não têm um pensamento mais crítico - por esse ou aquele motivo -, não se perguntam se o mantimento ao qual se referiu o profeta é aquele que vai engordar as burras de pastores, bispos, apóstolos (e em breve nessa nomenclatura neoprotestante) quasecristos, ou se ele tem outro propósito. 

Se voltarmos à instituição das leis mosaicas, saberemos que Aarão e seus descendentes, chamados de levitas, por determinação divina, eram proibidos de trabalhar e que deveriam viver das ofertas trazidas ao santuário, do qual eles se ocupavam unicamente. Adiantando mais um pouquinho na cronologia legislativa também saberemos que eles, por não terem parte da herança das outras tribos, deviam ser por elas sustentados. No entanto, o que não parecemos entender é um pequeno versículo do livro que determina essas coisas, o livro de Deuteronômio.

No capítulo 14, versículo 29, Moisés diz: "Então, virão o levita (pois não tem parte nem herança contigo), o estrangeiro, o órfão e a viúva que estão dentro da tua cidade, e comerão, e se fartarão, para que o Senhor, teu Deus, te abençoe em todas as obras que as tuas mãos fizerem". O mantimento na casa do Senhor de forma alguma significava a doação de moeda corrente e, muito menos ainda, sua troca por fazendas, emissoras de TV, carros importados, sítios, apartamentos, casas, viagens ao exterior e pirâmides faraônicas. O mantimento a que se refere o profeta Malaquias é a comida que deveria sustentar não só os levitas mas também os órfãos, as viúvas e os estrangeiros na terra para que eles não ficassem à míngua, desprovidos e desamparados numa sociedade que os marginalizaria. O dízimo tinha cunho social e democrático. 

Mas, va bene, as coisas mudaram dos tempos mosaicos para cá. Como eu mesmo disse anteriormente, há que se pagar luz, água, aluguel de alguns templos, funcionários e manter missionários aqui e no exterior. Tudo bem, contribuamos com a obra do Senhor. Mas contribuamos conscientemente! Não façamos como os alienados que dizem "minha obrigação é dar o dízimo, o que eles farão é problema deles e Deus". Não sejamos os idiotas que são passados para traz, enganados e que ficam na "provação" sorridentes, na "dispensação da graça" enquanto os lobos roubadores se aproveitam do fruto do trabalho alheio. 

Lembremos, por exemplo, do capítulo intitulado pela Sociedade Bíblica do Brasil, tradução de João Ferreira de Almeida, "os dízimos para os serviços do Senhor", do livro de Deuteronômio, a seguir: "Certamente, darás os dízimos de todo o fruto das tuas sementes, que ano após ano se recolher do campo. E, perante o Senhor, teu Deus, (...) comerás o dízimo do teu cereal, do teu vinho, do teu azeite e os primogênitos das tuas vacas e das tuas ovelhas; para que aprendas a temer o Senhor, teu Deus, todos os dias. Quando o caminho (até o templo) for comprido demais (...) vende-os e leva o dinheiro na tua mão (...) ESSE DINHEIRO DÁ-LO-ÁS POR TUDO O QUE deseja a tua alma: por vacas, ou ovelhas, ou vinho, ou bebida forte, ou qualquer coisa que TE PEDIR A TUA ALMA; come-o ali perante o Senhor, teu Deus, e te alegrarás, tu e a tua casa.(...) Então, virão o levita (pois não tem parte nem herança contigo), o estrangeiro, o órfão e a viúva que estão dentro da tua cidade, e comerão, e se fartarão, para que o Senhor, teu Deus, te abençoe em todas as obras que as tuas mãos fizerem". (14:22-29). 

Esse é o mantimento que deve existir na casa do Senhor! Este é o motivo de darmos 10% de tudo o que recebemos: ALEGRAR A NOSSA ALMA USUFRUINDO - NÓS MESMOS - DO FRUTO DO NOSSO TRABALHO E AJUDAR OS QUE NECESSITAM! e aí, segundo Malaquias, depois que nós nos alegrarmos com o nosso dízimo, lembrando por causa dessa alegria com o fruto do trabalho de que foi Deus quem nos deu o que temos e distribuirmos também com os que precisam, aí, Deus "abrirá as janelas dos céus e derramará um dilúvio de bênçãos; repreenderá o devorador, fertilizará a nossa terra e todas as nações nos chamarão bem-aventurados" (Ml 3:6-12).

Se nós, os da fé, entendêssemos o que lemos, não seria necessário que a Globo, nossos vizinhos ou quem quer que seja abrissem nossos olhos. Talvez, através de doações racionais, não víssemos a briga pública capitalista entre Edir Macêdo e Valdemir Santiago, um tentando derrubar o outro, tirar o cliente do outro, para ver quem fica com a maior parte de doadores; ou as enormes fazendas, jatinhos particulares, castelos e toda a sorte de ostentação de riqueza deles e de Estevam e Sônia Hernades ou de tantos outros lobos em pele de cordeiro que em seu afã pela adoração de Mamon, se esquecem que o Filho de Deus era carpinteiro e que andava a pé pregando o Evangelho com o único propósito de redimir as pessoas através da transformação da animalidade humana em essência divina. Talvez, se entendêssemos o que lemos, não veríamos nossa fé transformada em circo e nossa religião em moeda corrente cujo único propósito é enriquecer aqueles que se esquecem de que, como concluiu a personagem da história "Libertação", é só o amor o que importa, pois foi "isso, e só isso, o que Jesus pediu de nós".





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quinta-feira, março 29, 2012

Salvador!

Soterpolis

Ai! Que saudades de minha terra!
Que saudades de minha Salvador querida!
De quando me sentava ao cais de Humaitá
Cismado a ver o pôr-do-sol –
O astro rei sobre o Atlântico a brilhar
Incendiando o horizonte de arrebol.

Que vontade de beijar-te as nuas faces!
Virgem linda de homéricos contos...
E o desejo de ao cair da tarde
Na Piedade alimentar os pombos
Sentado à praça a contemplar a vida.

Que saudade de sentir a brisa
Aos pés do Cristo de marmórea vida;
De ver as ondas a beijar-te as Barras.
Do requebro tépido te tuas meninas.

Que anelo por sentir do acarajé o cheiro forte
No tabuleiro das baianas lindas.
De contemplar de São Marcelo o Forte
Na Praça à saída do Elevador
- Da cidade formosa grimpa –
E admirar-me com a tua gente banhada por Dinamene –
És Afrodite – de Praxíteles amor.

Sim! Eu quero descer a Contorno p’ra admirar a vista –
Ver o Solar, o Comércio, a Marina...
E ao fundo, lá distante, Itapagipe reluzindo –
Sorriso cativante d’um menino
A encher de graça os ares – a cobrir de grande brilho os mares-
A ti se rende Itaparica!
Minha cidade tão amada, terra de minha tenra infância!
Não me admiras seres do moribundo a tisana –
O sacrário altivo da beleza hispana.

Nos versos de Caymmi és bondosa Circes
Por quem se apaixona o solitário viajor –
És Tebas de cidério fulgor-
És de Vênus o amado Anquices
A dormir ao som do sublime flautim.

Lembro ainda do perfume das escadarias do Bonfim
A populaça em rugidora animação
Lavando as ruas desde a Conceição –
Iluminou as eiras, fez na Ribeira um grande carnaval.

Ai! Meu brasílio Taj Mahal
Tens jardins eternamente floridos
Onde libram as borboletas – onde crescem etéreos lírios.
São as Índias – de Cabral.
São os lauréis – da criação de Tupã.

Que saudades de Itapuã!
Quero rolar sobre as dunas do Abaeté
Dançar o Alegretto ao som do oboé;
Ter minhas lágrimas enxutas nas plumas duma garça.

Tens no Campo Grande d’uma Vitória a Graça.
- Um caboclo esculpido sobre um pilar –
Brilhas com a pira reluzente de Pirajá;
Tens Tritão a beijar teus pés.

A multidão borbulhando nas Galés -
Se derramando pela rua Chile.
 -Em meio ao povo negras Nefertites
Vão adorar-te na praça da Sé.

Sobem, descem ladeiras de enegrecidas pedras –
Diamantes brutos a cobrir o Pelourinho
 - Oásis plácido onde Zumbi fez seu ninho –
Terreiro sacro d’onde se ergue a Irmandade.

Seu povo heróico traz no peito a Liberdade
- São valentes guerreiros, não covardes! -
Trazem na garganta o grito Largo dos Aflitos
Que ao batuque dos tambores lindos
Reverdecem mais os bravos palmares.

Que saudade da quietude de Stela Maris!
Dos coqueiros do Jardim de Alá!
De sentar-me sobre a relva na praia de Piatã –
Ouvir entre as árvores os bandos a chilrear;
Ver das acácias as flores vermelhas, enrubescendo a verde folhagem.

Quero passear na Boa Viagem
No dia primeiro de janeiro;
Dançar na Avenida em fevereiro;
Contemplar o horizonte na praça Castro Alves.

Ah! Salvador, minha Salvador!
Nem Homero, nem Byron, nem Camões,
Nem os poetas do mundo inteiro,
Saberiam expressar as emoções
De vadiar pelos Dendezeiros -
Nem poderiam traduzir o que é te pertencer!

Quem ainda não vislumbrou a Pituba no alvorecer
Deixando-se arrebatar pelo bramido das ondas?
Quem não se sentou ao Mont Serrat
Vendo a cidade num fulvo entardecer –
Adorando-te como o Vate à Negra Dama?

Quem viu não pode esquecer-se de beleza tal!
Coberta de jóias és formosa vestal –
Para quem tocam as liras os anjos;
Por quem Caetano se derrama em cantos.

Ai! Salvador, minha Salvador querida!
Se soubesses o quanto sinto tua falta...
 - Sou como um nauta ao espaço singrando –
Pedirias a Deus que a ti me desse de volta;
Pedirias aos Céus que me enxugassem o pranto.
















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Soterpolis - English version

Ah! How I miss my land!
How I miss my dear Salvador!
The days when I sat at the pier of Humaitá
Adrift seeing the sunset –
The king star, an splendor o’er the Atlantic,
Blazing the horizon with hues of dusk.

What a crave to kiss thy nude faces,
beautiful virgin of Homeric tales
And what a desire to feed the pigeons
When night came o’er Piedade square
While I was set, contemplating life, pensive.

How I miss feeling the breeze
At the feet of the granite Christ;
Seeing the waves kissing the shores of Barra,
And the sensual walking of thy girls.
I hanker to feel the strong smell of the acarajé
At the beautiful baianas stands.
To contemplate São Marcelo fort and the fishermen tents
From the Square, at the entrance of the Elevator
- the amazing hill of the two cities -
And be astonished by thy people and their dance
bathed by Dinamenes.
Thou art Aphrodite – the love of Praxiteles.

Yes! I want to see the landscape as I walk down Contorno Avenue,
See the Solar, Comércio, the Marina, all the town
And at the background, far flung, Itapagipe shining –
Like the captivating grin of a boy
Filling the air with grace – covering with blissful light the seas and terraces –
Itaparica comes to worship thee!
My so lo'ed city, land of my sweet infancy!
It’s no surprise that thou art the tisane
The proud sacrarium of Latin beauty.

In the verses of Caymmi thou art sweet Circes
For whom the lonely voyageur falls –
Thou art Thebes of sidereal light –
Thou art of Venus the beloved Anquices
Sleeping at the music of the flute at night.

I recall the perfume at the stairs of the church of Bonfim
The throng in a reverie
Washing the streets nearby Conceição cathedral –
Lighting the houses, making in Ribeira a great carnival.

Ah! My Brazilian Taj Mahal
Thou hast eternally flowering gardens
Where the butterflies fly – where ethereal lilies grow.
They are the Indias – of Cabral.
They are the laurels – of the creation of Tupã.

How I miss Itapuã!
I want to cartwheel on the dunes of Abaeté,
Dance the allegretto at the sound of the oboe;
Have my hands caressed in the plumes of a heron.

Thou hast in Campo Grande the Grace and the Victory
- an indian sculpted o’er a pillar -
Thou shinest with the shining fire of Pirajá
Thou hast Triton kissing thy feet.

The multitude going down the Galés –
Crowding Rua Chile.
- Among the people black Nefertitis
Will worship thee at the Sé Square.

They go up and down the seared stones –
Unwrought diamonds covering Pelourinho paths
- Idyllic oasis where Zumbi made his dwelling - Sacred site where the fraternity raises.

Thine heroic people bring on the chest Liberty girded
- They’re brave warriors, not feeble!
They bring the loud shout of the Aflitos from innermost parts
Who at the sound of the beautiful drums
Make thy green pastures e'en greener.

How do I miss the calmness of Stela Maris!
The coconuts in Jardim de Allah!
I miss sitting on the meadow at Piatã beach
Listening to the birds in the trees cheering
Seeing the red flowers of the acacia, making the foliage crimson.

I want in Boa Viagem to promenade
At the dawn of January the first;
Dance on the Avenida in February;
From Castro Alves Square contemplate the horizon, the statuary .

Ah! Salvador, my Salvador!
Neither Homer, or Camões, or Byron, or
Even all the poets in the world,
Would know to word how nice
‘Tis walking freely through Dendezeiros.
They wouldn’t even translate what it is to be thine.

Who hath not seen Pituba at dawn
Being enrapted by the roaring of the waves?
Who hath not sat at Mont Serrat
To watch the sea at sunset shades –
Loving thee as the Bard the Black Lady?

Who’s seen such a beauty shall it never forsake!
Co'ered in jewels thou art the mistress of fires –
For whom the angel play lyres;
For whom Caetano maketh songs.

Ah! Salvador, Salvador my dearest!
If thou knowest I miss thee so much …
- I’m like the sailor o'er the sea -
Thou wouldest ask God to give me back unto thee;
Wouldest pray Heaven to wipe my tears from me.

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sexta-feira, fevereiro 03, 2012

02 de fevereiro: dia de festa no mar e pânico na terra


Enquanto a praia do Rio Vermelho acolhia os devotos do candomblé com suas oferendas e seus atabaques na festa de Iemanjá, o Centro de Salvador parecia querer alargar suas ruas estreitas para dar vazão à corrida desesperada de pessoas procurando, nas lojas e prédios da região, abrigo contra os arrastões que, segundo se ouvia, estavam acontecendo nos shoppings, pontos de ônibus e em diversos bairros da cidade.

Esses saques e roubos, ao que parece, começaram no bairro da Liberdade por volta das 10 da manhã e se alastraram rapidamente pelo Centro, continuando por toda a cidade até chegarem ao shopping Salvador Norte, já no município de Lauro de Freitas.

A razão para o terror que se instaurou na capital baiana e em outros municípios do estado foi a greve da PM iniciada no dia 31/01/2012 numa assembléia que se decidiu pela paralisação por tempo indeterminado da Polícia Militar, paralisação à qual apenas parte do efetivo aderiu. No entanto, essa adesão em parte à suspensão das atividades policiais foi motivo de sobra para permitir que viessem à tona todo o medo e stress que, já faz muito tempo, se instalaram na alma da população - por causa da insegurança e aumento assustador da violência na cidade - e gerar a ansiedade cheia de pavor que víamos no andar corrido dos transeuntes, nos pontos de ônibus lotados, nas casas trancadas a sete chaves por todos os lugares onde passamos ontem.

O temor que se abateu sobre nós, no entanto, parece ter sido “injustificado”. Pois, os crimes veiculados em sites da Internet e programas de rádio das notícias durante todo o dia, tais como os arrastões que fizeram a população entrar em polvorosa, os assaltos que fizeram os comerciantes da Avenida Sete de Setembro, dos bairros populares e até mesmo de grandes Shopping Centers como o Itaigara e o Barra fecharem as portas mais cedo, não passaram de episódios comuns da rotina da cidade.

O que a bandidagem fez foi simplesmente agir com mais liberdade. Daí está claro que pudemos ver marginais desfilando pelas ruas como se fossem os senhores do mundo! E, é claro também, que os arrombamentos, arrastões e todo o resto – em Salvador e em outros municípios – aconteceram de forma mais concentrada. Mas será que ontem o diabo foi mesmo tão feio quanto o estão pintando por aí?

Não estou querendo minorar os episódios de ontem, foram tenebrosos! Apenas creio que, a maneira como a população respondeu a eles, foi simplesmente a explosão do acúmulo de medo e ansiedade pelos quais somos acometidos todos os dias. Para comprovar isso, basta respondermos a essas perguntas: Quem de nós anda nas ruas de Salvador e não tem medo de ser assaltado? Quem tem coragem de caminhar na Orla distraidamente? Quem pega ônibus sem estar em estado de suspensão por acreditar que a qualquer minuto ladrões se levantarão e roubarão cobrador e passageiros? Quem pára em semáforos em determinados pontos da cidade e deixa as janelas do carro abertas ou, ainda, quem respeita o sinal após as 21:00 horas?  Quem não conhece alguém que foi assaltado, seqüestrado ou morto por bandidos?

Talvez,  o nosso  secretário de Segurança Pública, Maurício Barbosa, desconheça esses fatos, pois foi ele quem disse à imprensa: "A situação é sensível e não podemos desconsiderar isso. Mas vamos restabelecer essa sensação de segurança o mais rápido possível". Eu, soteropolitano, residente em Salvador por quase toda a minha vida, há vários anos não sei o que significa “essa sensação de segurança”. Na verdade, a única sensação que tenho é a mesma que me ocorreu quando li o Pequeno Príncipe, mais especificamente o momento em que ele está sobre uma duna e lança um grito ao ar que lhe retorna em forma de eco. Ao ouvir sua própria voz ele diz: “você quer ser meu amigo? Eu estou só” e o eco lhe responde: “estou só, estou só, estou só”.

Em Salvador, estamos sobre as dunas gritando aos poderes públicos com pulmões cheios e a única coisa que ouvimos é o eco de nossas próprias vozes ao vento repetindo incansavelmente “eu estou só, eu estou só, eu estou só”, numa solidão tenebrosa.

Tudo bem, o governo federal liberou 2600 homens da Força de Segurança Nacional para restaurar a ordem e “essa sensação de segurança” na Bahia. Esses homens poderão ficar aqui até o carnaval – para proteger os quase um milhão de turistas que virão derramar seu dinheiro em nossos cofres - caso a PM não volte ao trabalho imediatamente conforme ordenou o juiz Ruy Eduardo Almeida Brito. Mas e depois ou, quem sabe até mesmo, “e durante”?

2600 homens com fuzis, metralhadoras e todo o arsenal que lhes cabe irão proteger pontos específicos da cidade, darão segurança, especialmente, ao turista e, a reboque, à população em geral. Mas será que esses homens patrulharão os bairros populares? Será que estarão presentes nos ônibus municipais? Será que terão a capacidade de apagar das mentes das pessoas o terror, o stress que elas viveram, lhes tirar do coração o sentimento de impotência apavorada como a que eu vi nos olhos do meu aluno pré-adolescente quando ele, entrando em sala, me perguntou: “professor, e se eles (os criminosos) vierem aqui matar a gente”? Me preocupa pensar na resposta.

Me preocupa também saber que “essa sensação de segurança” só pode nos ser dada através das Armas e de seu arsenal bélico. Da transformação da vida cotidiana urbana em cenário de guerra, da exposição de nossas crianças às mesmas imagens a que a população de países como Iraque, Afeganistão, Israel, estão se acostumando. O problema não está na greve da polícia militar! O problema não está na chegada dos combatentes de guerra! O problema está no descaso diário, no abandono – por parte da sociedade e dos poderes públicos que ela elege – e na marginalização do povo, nas Gotham Cities que se formam todos os dias ao redor dos condomínios de luxo de pequeníssima parcela da população. O problema, senhoras e senhores, está na falta do cuidado para com o nosso povo!

E é por pensar assim que não tiro a razão daqueles que estavam no Rio Vermelho ontem, alheios ao caos que pouco a pouco se apoderava de nossa cidade inteira. Afinal, talvez a única coisa que lhes resta seja mesmo apelar aos seus deuses, às forças míticas, aos elementos da natureza transformados em poderes sobrenaturais para que dessa forma consigam se alienar da terrível realidade que nos cerca.

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segunda-feira, janeiro 02, 2012

COMO PERDER PESO

Antes de você ler o texto abaixo, é necessário ter em mente algumas dicas:
  1. DECIDA QUE VAI EMAGRECER
  2. CONSULTE O MÉDICO E FAÇA EXAMES DE ROTINA
  3. PROCURE UMA BOA ACADEMIA COM PROFISSIONAIS HABILITADOS
  4. FAÇA SEMANALMENTE UM CARDÁPIO COM TODAS AS REFEIÇÕES DIÁRIAS
  5. LEMBRE-SE DE QUE VOCÊ QUER EMAGRACER
  6. NÃO FALTE AOS EXERCÍCIOS DA ACADEMIA
  7. QUANDO A FOME APERTAR COMA FRUTAS OU SALADAS
  8. PESE SUAS ESCOLHAS! O QUE É MELHOR PARA SUA SAÚDE: 3 BISCOITOS RECHEADOS OU 3 BANANAS DA PRATA? SE A RESPOSTA FOI O BISCOITO, RELEIA AS DICAS 1 E 5
  9. DEIXE À SUA VISTA AQUELA FOTO QUE O/A FAZ LEMBRAR DO MOTIVO DA DIETA OU AQUELA ROUPA QUE NÃO CABE MAIS - SÃO BONS REFORÇADORES
  10. LEMBRE-SE QUE A DIETA É PARA VOCÊ E SUA SAÚDE, VOCÊ NÃO PRECISA ENGANAR A NINGUÉM COMENDO ESCONDIDO
  11. VOCÊ PODE COMER DE TUDO, SÓ TENHA EM MENTE QUE TUDO TEM CALORIAS E QUE AS CALORIAS NÃO CONSUMIDAS SE TORNAM BANHA EM SEU CORPO
  12. VOCÊ NÃO PRECISA DE REMÉDIO - A NÃO SER EM CASOS GRAVES - SÓ PRECISA DE DISCIPLINA
  13. SE NÃO CONSEGUE RESISTIR ÀS TENTAÇÕES, PEÇA AJUDA EM CASA, NO TRABALHO, ONDE QUER QUE VOCÊ VÁ COMER
  14. LEMBRE-SE QUE NO FINAL DAS CONTAS VOCÊ FICARÁ MUITO FELIZ EM SE SENTIR LEVE, EM CABER NAS ROUPAS, EM SUBIR ESCADAS SEM BOTAR OS BOFES PRA FORA, EM COMER UM POUCO MAIS DE TUDO, EM CHAMAR A ATENÇÃO DE FUTUROS/AS PRETENDENTES, E QUE VOCÊ DIMINUIRÁ OS RISCOS DE DIABETES, DOENÇAS CARDÍACAS, AVCs E AFINS
  15. NÃO PERCA DE VISTA O PORQUÊ DE SUA DECISÃO INICIAL  
  16. NÃO DESANIME! NA PRIMEIRA SEMANA VOCÊ VAI SENTIR MUITA FOME - É NORMAL! SEU CORPO ESTAVA ACOSTUMADO A CONSUMIR MUITO. RESISTA! A SENSAÇÃO DE FOME DESCONTROLADA VAI PASSAR. ENQUANTO NÃO PASSA, OPTE POR SALADA VERDE - ALFACE, PEPINO E TOMATE - OU UMA FRUTA DE BAIXA CALORIA - 1 BANANA DA PRATA, 1 MAÇÃ, 1 PERA, 1 FATIA MÉDIA DE MELÃO -, POIS TÊM POUCAS CALORIAS. COMO SEU CORPO VAI COMEÇAR A PERDER MUITO PESO, DURANTE O PROCESSO VOCÊ IRÁ ESTAGNAR. NÃO ENTRE EM NEURA! ESSA PARADA NO EMAGRECIMENTO É UM MECANISMO DO SEU CÉREBRO PARA PRESERVAR SUA VIDA - EU FIQUEI UMA SEMANA E MEIA SEM PERDER UM ÚNICO GRAMA, TEM GENTE QUE FICA DUAS OU TRÊS; DEPOIS VOCÊ VOLTA A EMAGRECER. PERSEVERE!
  17. ALIMENTE-SE A CADA 2 OU 3 HORAS - ISSO VAI AJUDAR SEU METABOLISMO A FICAR MAIS RÁPIDO E NÃO DEIXARÁ QUE VOCÊ SAIA DEVORANDO TUDO QUE ENCONTRAR PELA FRENTE.

Tervetuloa Turkuun! Turku, a cidade da margarida gigante.

“Perplexidade” – essa é a palavra que toma conta de nós quando ouvimos falar de ataques terroristas. Pois, é difícil entender, por exem...